Lideranças da Santa Casa Recife dialogam sobre gestão de Saúde em videoconferência

Custos, Qualidade e diversas outras questões que envolvem gestão hospitalar foram debatidos em uma videoconferência, realizada na noite desta quarta-feira (1º/09), pela Santa Casa de Misericórdia do Recife. Conduzido pelo superintendente geral Amaro Lins, o encontro reuniu líderes da instituição e trouxe como convidados profissionais de vasta experiência em gestão de Saúde: a médica infectologista e consultora em biossegurança Sylvia Lemos Hinrichsen; a coordenadora da Qualidade do Hospital Santo Amaro (HSA), Najara Felisberto; e os administradores hospitalares Geraldo Pontes Neto e José Lamartine, da Unimed e do Hospital das Clínicas, respectivamente.

“Estamos trabalhando incansavelmente para fortalecer o nosso Hospital Santo Amaro, avançar na questão da Qualidade, dos nossos custos. Esse encontro surgiu após uma conversa com Sylvia e então decidimos trazer pessoas experientes nessas áreas e reunir o que nós temos de melhor para que a gente possa dialogar e aprender uns com os outros”, disse Amaro Lins, na abertura do evento. “Fico feliz em ver todos vocês aqui, caminhando juntos em direção a um mesmo propósito”.

Em sua apresentação, Sylvia Lemos lembrou do período em que colaborou com a Santa Casa Recife, coordenando projetos do Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS). “Estou muito feliz em revê-los, a Santa Casa mora no meu coração. Eu aprendi muito com Geraldo, com Lamartine e com Najara. Levei muitas experiências da Santa Casa para o Hospital das Clínicas e vice-versa”, disse a médica, que possui mais de 35 anos de experiência em Infectologia e atua como professora titular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Sylvia Lemos destacou a importância dos protocolos assistenciais para um gerenciamento eficaz de um hospital. “Temos que sistematizar processos. A padronização reduz as vulnerabilidades durante o percurso”, afirmou. Ela também chamou atenção para a necessidade do acompanhamento dos indicadores, mas alertou que o excesso pode atrapalhar o fluxo. “Só se gerencia aquilo que se mede. Sem medir não é gerenciamento, é opinião. No entanto, não adianta ter 40 indicadores, se eles não estão sendo analisados. É melhor focar em cinco ou seis métricas que você consiga acompanhar”, pontuou.

Com passagem pelo HSA, onde trabalhou como gerente de Gestão Hospitalar, Geraldo Pontes Neto abordou em sua palestra os custos de uma unidade de saúde. “A gente tem que começar a ter a visão de quanto custa cada linha de cuidado/setor. Qual é o valor do internamento clínico? Qual a rentabilidade de cada serviço? Identificar, avaliar e executar um plano de ação para obter esses resultados não é uma missão fácil, por isso muitos hospitais hoje não conseguem sobreviver”, afirmou Pontes, que também já atuou na Hapvida, no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) e hoje está na Unimed Caruaru.

“Medir tempo de permanência de paciente, giro de leitos, tudo isso precisa ser observado diariamente. Claro que, no caso da Santa Casa, existe um papel social de ajudar as pessoas mais carentes e de atender o Estado e o Município, desafogando a fila do SUS. A gente precisa conhecer todos os números, mas sempre priorizando a humanização da assistência ao paciente”, defende Pontes, que finalizou com uma fala saudosa sobre o HSA. “Eu tenho uma paixão enorme pela Santa Casa, em especial pelo HSA. É um ambiente que me traz paz, gosto das pessoas, continuo mantendo contato”.

Se a gente não planeja, os eventos ocorrem em descompasso. É o que acredita José Lamartine, que é chefe da divisão administrativa financeira do HC/UFPE e membro do grupo de trabalho da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Segundo ele, a rotina hospitalar é complexa, seja a entidade pública ou privada. “Sem planejamento estratégico, você atende alguém naquele momento, mas não atende a instituição. É preciso entender a realidade do hospital, identificar as necessidades, selecionar e descrever os macroproblemas, elaborar o plano de intervenção e analisar a viabilidade”, disse Lamartine.

A coordenadora da Qualidade do HSA, Najara Felisberto, apresentou dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) que mostram que os erros administrativos são responsáveis por até metade dos erros médicos na atenção primária. “A terceira maior causa de mortes no Brasil são eventos adversos, ficando atrás apenas de doenças cardiovasculares e câncer. É um dado relevante e preocupante. Mas sabemos que metade desses eventos adversos pode ser evitada”, acrescentou, destacando que tais eventos prejudicam a saúde da população e também a saúde financeira das organizações. “O custo estimado associado aos erros de medicação, por exemplo, é de U$ 42 bilhões por ano no mundo”.

Ex-colaboradora de instituições renomadas como Fiocruz e Santa Casa de Maceió, Najara reforçou, ainda, que um dos pilares das acreditações é a sustentabilidade financeira, não apenas as questões assistenciais. “Por isso que a gente bate tanto nessa tecla. Se a gente quer dar essa contribuição para a sociedade, mas mantendo a sustentabilidade da instituição, precisamos nos atentar à gestão da Qualidade”, afirmou. Segundo Najara, o envolvimento da equipe assistencial na tomada de decisões administrativas promove a redução dos custos e uma melhoria de desempenho nas atividades desenvolvidas no hospital como um todo. “É um grande desafio, mas essa é uma das nossas prioridades atualmente: dialogar e chegar a consensos”.

 

Texto: Cínthia Carvalho / Comunicação Santa Casa Recife