Em vídeo filmado pela mãe, aluna revela amor pelo Instituto de Cegos

Quem vê a pequena Maria Clara Brasileiro assim, sorridente e falando pelos cotovelos, não imagina o quanto ela já batalhou pela vida. Clarinha, como é chamada por todos, nasceu prematura, com 26 semanas, chegando a pesar 570 gramas. Ficou entubada por dias, superando cada complicação ao lado da mãe Ellen Dayana de Lima. Ao deixar a UTI, onde ficou por quatro meses, veio a notícia: Clarinha havia nascido com catarata congênita e retinopatia da prematuridade, uma das principais causas de cegueira infantil.

Mesmo ouvindo que o caso era irreversível, Ellen se mudou para São Paulo em busca de tratamentos e cirurgias que pudessem curar a filha. Mas era irreversível. Ellen visitou muitas entidades em busca de ajuda, mas tudo começou a mudar quando, em 2016, elas conheceram o Instituto de Cegos Antonio Pessôa de Queiroz (IAPQ), unidade filantrópica mantida pela Santa Casa Recife. No local, fundado há 111 anos, pessoas cegas ou com baixa visão são habilitadas para lidar com as limitações e têm acesso a todo conhecimento necessário para uma vida autônoma e plena em sociedade.

Naturais de Alagoas, mãe e filha viajavam para a capital pernambucana para que Clarinha pudesse fazer as aulas no IAPQ. “Saímos de 3h30 da manhã, chegamos no Recife por volta das 6h, ficamos lá no Instituto, tomamos café… Quando Clarinha termina a aula, por volta de meio-dia, almoçamos e ficamos lá, descansando, até o carro da Saúde vir nos buscar. Já chegamos à noite em Maragogi. É cansativo, mas é muito gratificante”, conta Ellen. Segundo ela, todo o esforço é válido para a educação da filha. “No Instituto, foi onde me senti acolhida e vi que era onde Clarinha podia evoluir. Do porteiro à diretoria, todos são excelentes. É maravilhoso”, diz.

Com aulas suspensas, devido à pandemia, Clarinha continua com suas tarefas em casa, auxiliada pela mãe. “As professoras nos dão orientações pelo Whatsapp. Clarinha sente muita falta de estar no Instituto, e eu também. Ela sente falta, inclusive, do cuscuz de tia Lau. Ela já chegava lá pedindo”, conta Ellen, aos risos. O IAPQ segue o calendário letivo das escolas públicas e aguarda definição do governo estadual para o retorno às atividades.

No vídeo abaixo, gravado por Ellen, Clara demonstra sua felicidade em estar no Instituto, lugar onde ela “normalmente se sente melhor”. Aos pulos, Clara agradece às professoras Adriana e Ivana. “Tia Adriana pega a bengalinha e anda comigo. E tia Ivana pega o nozinho e puxa”, se referindo a uma das atividades. “Eu sou feliz aqui! Eu amo o Instituto!”, exclama a pequena, e termina o vídeo caminhando sozinha pelo pátio da unidade, situada no bairro das Graças. Construindo sua independência, a garotinha de 5 anos resume seu estado de espírito: “Tô ótima e na correria do bem”, provocando risos orgulhosos da mãe.

Ellen pretende usar as redes sociais para divulgar o dia a dia de Clarinha e, com isso, mostrar à sociedade uma forma mais leve e real de encarar a cegueira infantil. “Não foi fácil, mas graças a Deus e ao trabalho do Instituto a gente conseguiu levar isso naturalmente”. O Instagram da pequena é @clarinhalimabrasileiro e conta atualmente com pouco mais de 300 seguidores. No perfil, Ellen publica fotos e vídeos da filha brincando na praia, interagindo com os coleguinhas, vestida de matuta, saboreando biscoito com chá, cantando e ouvindo música. “As pessoas precisam saber que uma criança cega também tem uma vida normal”, afirma Ellen.

Confira no vídeo o depoimento completo de Clarinha Brasileiro:

Texto: Cínthia Carvalho / Comunicação Santa Casa Recife
Foto/vídeo cedidos pela mãe da criança