Em busca de mais um título no goalball, Instituto de Cegos do Recife disputa Jogos Paralímpicos de Pernambuco

Neste sábado (03/08), o Instituto de Cegos Antônio Pessoa de Queiroz (IAPQ), unidade mantida pela Santa Casa de Misericórdia do Recife, vai sediar uma partida da fase estadual dos Jogos Paralímpicos de Pernambuco. Além de ser um dos anfitriões, o IAPQ compete na modalidade goalball, com 25 jogadores, divididos em duas equipes. E a expectativa dos atletas é grande: é que o time da Santa Casa disputa a competição desde 2015 e se consagrou como campeão em todas as edições desde então. Os jogos acontecem das 8h às 14h, no ginásio do Instituto, que fica no bairro do Derby.

De acordo com o técnico de goalball do IAPQ, Edmar Sampaio, os diferenciais desta equipe são o espírito de cooperação e o conjunto de forças dos jogadores. “Todos os nossos atletas são conhecidos por serem técnicos e por terem muita vontade. Não desistem de um jogo, independente do placar. Respeitam os adversários mostrando tudo que sabem nas partidas”, conta.

Treinador do IAPQ desde 2013, Edmar diz que conduzir atletas com deficiência visual significa reaprender a viver. “O maior desafio é poder contribuir, através do esporte, na vida de cada um, tornando-os cidadãos cada vez mais conscientes de suas potencialidades, de seus direitos e de suas possibilidades”, conta. “A maior gratificação é vê-los alcançar o sucesso que tanto desejam, almejam, sonham. Não há recompensa maior.”

Lucas Janiel, 19 anos, atleta de goalball do IAPQ, em 2017

Um dos atletas é Lucas Janiel de Fontes Silva, de 19 anos, que é aluno do IAPQ desde os 7 anos de idade. Em 2016, a convite de um amigo, Lucas começou a jogar goalball e descobriu uma vocação. “Sempre gostei de atividades físicas, mas não estava conseguindo me encaixar mais em nenhum esporte, desde que perdi a visão. Me apresentaram o goalball, conheci as regras, decidi arriscar e me apaixonei”, conta o jovem, que ficou cego aos 6 anos, após um acidente doméstico.

O goalball é um esporte criado exclusivamente para atletas que possuem algum grau de deficiência visual. É praticado com uma bola que tem um guizo em seu interior para produzir sons, facilitando, assim, a percepção durante a partida. São três titulares e três reservas em cada time e eles atuam tanto no ataque quanto na defesa. Os jogadores precisam usar uma venda nos olhos, para garantir a igualdade de condições entre eles.

Uma das maiores conquistas da carreira, segundo Lucas, foi quando seu time conseguiu chegar ao 5º lugar na etapa nacional dos Jogos Paralímpicos Escolares, em 2017, em São Paulo. Já em relação ao seu estilo de jogo, ele se considera “rápido, estratégico e explosivo”. Além do sucesso dentro das quadras, o atleta pretende seguir difundindo a modalidade que o abraçou: “Hoje fico feliz em praticar e poder divulgar o goalball para todo mundo”.

Para Lucas e outros 200 atletas de 15 modalidades, esta etapa é a chance de se classificar para os Jogos Paralímpicos Escolares, maior competição do segmento no Brasil. E Pernambuco vem se destacando no torneio: nos últimos quatro anos, o estado saltou de 13 para 26 medalhas. A etapa nacional está marcada para os dias 18 e 23 de novembro, em São Paulo.

Texto: Comunicação – Santa Casa de Misericórdia do Recife
Fotos: Arquivo pessoal – Lucas Janiel