Dia Mundial da Conscientização do Autismo

Com o intuito de chamar atenção acerca da importância de conhecer e conscientizar as pessoas sobre Transtorno do Espectro Autista (TEA), também conhecido como Desordens do Espectro Autista (DEA), a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu, em 2008 a data 02 de abril como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo.

O TEA denota síndromes que são notadas através de perturbações do desenvolvimento neurológico, o que pode causar dificuldades de comunicação, socialização e um padrão de comportamentos significativos. O espectro autista pode se classificar em três tipos, sendo eles, o autismo clássico, o autismo de alto desempenho e o distúrbio global do desenvolvimento sem outra especificação. No primeiro caso, os portadores não usam a fala como principal meio de comunicação e não apresentam o contato visual com outras pessoas. No segundo caso, os portadores se caracterizam por possuir um alto nível de inteligência. No terceiro caso, o distúrbio global do desenvolvimento sem outra especificação, apesar de serem considerados partes do TEA, os portadores não apresentam sintomas suficientes para serem incluídos no transtorno.

O Colégio Santa Luísa Marillac, no Parnamirim, é uma das unidades administradas pela Santa Casa de Misericórdia do Recife, e, em janeiro, ofereceu uma palestra sobre Inclusão Escolar e Transtorno Espectro Autista (TEA). Dirigida pela doutora Tamires Queiroz, psicopedagoga que desenvolve um trabalho de referência com crianças que possuem o autismo, a palestra teve como finalidade abranger ainda mais o conhecimento dos professores e focar em temas como a inclusão de crianças com TEA no ambiente escolar.

Além das palestras oferecidas no início do ano, Márcia da Fonte, psicóloga do colégio há 11 anos, promove semanalmente estudos diversos, inclusive sobre o autismo, para os professores e auxiliares da escola. “Nesse trabalho eu procuro sensibilizar os professores em relação às questões do desenvolvimento dos alunos, para que isso facilite o aprendizado deles”, contou.

Para ela, o trabalho semanal tem como finalidade fazer com que os professores e auxiliares estejam preparados para acolher o aluno, de maneira que compreenda as diversas fases de desenvolvimento. O trabalho de integração grupal, para Márcia, foi fundamental para o desenvolvimento e crescimento profissional dos professores. Ela destaca a importância dos professores se capacitarem e buscarem outras formas de conhecimento, seja através de cursos, palestras, congressos e etc. “Eu acho que os estudos ajudam na capacitação das professoras, mas não é suficiente. É importante que elas façam também cursos fora da escola, com pessoas que tragam novos caminhos”, disse.

A relação entre os alunos e as professoras é muito boa. Márcia afirma que, com os estudos oferecidos, os profissionais da instituição adquiriram uma certa sensibilidade e acolhimento em relação aos alunos. “Eles estão mais sensíveis ao aluno que não está conseguindo crescer, sensíveis ao aluno que não se comunica na sala de aula. Eles estão preocupados com aquele aluno mais quieto”, afirmou.

Para ela, o avanço em conjunto define a instituição. Um profissional ligado ao outro é sinônimo de união, com isso, ajudar o próximo é o que faz a escola crescer. “Nós acreditamos que a integração grupal é o que fortalece a relação de todos os funcionários da escola e o sentimento de gratidão é cada vez maior”. Poder despertar nos professores o desejo de buscar capacitações, conhecimentos e realizar um trabalho que tem dado certo, não tem preço. “Se não fosse a direção apoiando, dando carta branca para a gente, essas coisas não aconteceriam”, contou.

Esse ano a instituição conta com a presença de uma aluna diagnosticada com autismo, Ana Sofia, 3 anos de idade, estudante do ensino infantil I. A coordenadora pedagógica do colégio, Gabriela Lins, nos contou como está sendo essa experiência: “A professora vem estimulando e trabalhando para que Sofia socialize com os amigos e a auxiliar da sala”, disse. Ana Sofia é uma aluna nova do colégio, apesar de não conversar muito com os amigos da turma, Gabriela contou que ela é uma menina alegre e que ama dançar e cantar. Para ela, a escola tem como função social acolher a família e trabalhar junto com os objetivos de aperfeiçoar a cognição da criança.

A chegada dela na escola aconteceu através das referências que a família da mesma recebeu. O colégio então, preparou um planejamento diário para as atividades da menina. A união entre instituição e família é fundamental para o processo de desenvolvimento da criança e, para Gabriela, essa parceria é um grande trunfo no desenvolvimento de qualquer aluno. O colégio vem buscando alternativas para proporcionar aos alunos o direito de inclusão através de atividades esportivas e pedagógicas. Para a coordenadora, a instituição está caminhando cada vez mais para a inclusão dos alunos em todos os âmbitos, e o primeiro passo é olhar para o outro com o olhar do coração.

As atividades mais realizadas por Ana Sofia e sua turma são as atividades lúdicas, focando no treinamento das habilidades sociais e cognitivas. O jogos são confeccionados com sucata e adaptados à realidade da aluna. Já as atividades esportivas, como as aulas de educação física, a coordenadora afirma que são bem aceitas pela aluna que, juntamente com a aula de dança, vem contribuindo para a socialização e a coordenação motora de Ana Sofia. “O que Sofia gosta mesmo é de dançar! Nas aulas de dança ela canta do seu jeitinho e dança muito”, contou.

Ainda não se conhece uma cura definitiva para o TEA, no entanto, não existe um padrão específico de tratamento que pode ser aplicado em todos os portadores. Cada um recebe cuidado de forma individual, onde o apoio familiar é fundamental para as progressões diárias de cada indivíduo. Segundo o Centro de Controle de Prevenção e Doença (CDC), 1 a cada 59 crianças nascem com o TEA, tornando-se quatro vezes mais comum em crianças do sexo masculino. No entanto, a inclusão, o acolhimento e o estímulo às atividades físicas sempre serão as melhores opções para o desenvolvimento de todas as crianças.