Unidades de Acolhimento apostam em arte-terapia como transformação social

As Unidades de Acolhimento (UAs) são espaços de moradia temporária, que abrigam homens e mulheres em situação de vulnerabilidade, a partir de 18 anos, e que estão enfrentando problemas decorrentes do abuso de álcool e de outras drogas. Em uma cogestão com a Prefeitura do Recife, a Santa Casa de Misericórdia administra duas UAs, que acolhem cerca de 30 pessoas. Com o intuito de fortalecer a criatividade e promover a inserção social e a reabilitação desse grupo, as equipes têm apostado na arte-terapia. Em junho, dez homens que moram em uma UA localizada no bairro da Imbiribeira participaram de uma oficina e confeccionaram porta-guardanapos, cestinhas decoradas e outros enfeites para as mesas juninas da instituição.

Esses moradores são encaminhados às UAs por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) e contam com todo o cuidado de equipes multidisciplinares, que têm como norte a bandeira da humanização. “Durante os trabalhos manuais, conversamos bastante, trocamos experiências, trabalhamos a paciência, diminuímos a ansiedade”, explica a educadora social Sandra Maria Soares, uma das responsáveis pelas oficinas de arte na UA. Ela conta que também trabalha o conceito da sustentabilidade com os moradores. “Sempre trago para eles a importância de reciclar materiais e mostro como uma simples garrafa, que iria para o lixo, pode se tornar um lindo vaso e outras coisas. O retorno deles é bem positivo. Eles levam para vida a lição de que tudo pode ser transformado”, conta.

Para a maioria do grupo, reciclar materiais para fazer arte foi uma novidade, mas não para Edmundo de Oliveira, morador da UA Prof. Antônio Nery. Ele costumava usar latinhas de alumínio para fazer brinquedos e vender no calçadão da praia de Boa Viagem. “Gostei de participar da oficina, pois ocupa minha mente e ensina a reaproveitar materiais recicláveis. A oficina foi tão boa, ficou tudo lindo”, contou, orgulhoso das suas criações.

Hoje enfeitam as festas da Santa Casa, mas essas peças de artesanato confeccionadas por moradores das UAs já viraram itens de venda em shoppings da cidade. A ação faz parte do projeto Rede Viva – Incluindo Vidas, que ocorre desde 2015, em parceria com a Prefeitura do Recife. Além de artigos juninos, são comercializados quadrinhos, brincos, camisas e outros produtos customizados. No momento, o projeto está suspenso, devido à pandemia de Covid-19, mas a expectativa é que os quiosques solidários retornem em breve. “Queremos voltar com essa proposta, trabalhando sempre com o duplo viés de estimular a criatividade e autonomia deles e, ao mesmo tempo, gerar alguma renda para o projeto”, afirma a coordenadora clínica e administrativa das UAs, Veruska Fernandes.

Confira algumas fotos: