Protagonismo feminino no mercado de trabalho

O dia 8 de março é uma data onde é celebrado no mundo todo as conquistas políticas, culturais e sociais das mulheres. A data serve para destacar a importância e o poder da mulher na sociedade. E, para contemplar o mês das mulheres, tendo em vista que é uma ocasião favorável para chamar a atenção da luta de igualdade de direitos entre homens e mulheres, conversamos com três colaboradoras da Santa Casa de Misericórdia do Recife, Carmem Lúcia, Marta Batista e Ednay de Souza.

Por muito tempo a mulher era vista como alguém necessariamente feito para cuidar da casa e da família, para Carmem Lúcia, auxiliar de enfermagem e integrante do hospital Santo Amaro (HSA), uma das unidades da Santa Casa de Misericórdia do Recife, antes o direito da mulher era inferior em relação aos dias de hoje, a mulher era vista como doméstica e não havia a valorização do trabalho feminino. Hoje as coisas estão caminhando para a equiparação de direitos entre os gêneros, visto que a mulher também pode exercer funções e cargos que antes eram determinados aos homens. “Antigamente a mulher tinha que ser doméstica e o homem tinha a finalidade sustentar a sua casa. Hoje é dividido, o homem e a mulher vão trabalhar para ter o sustento da sua casa”, comentou Carmem Lúcia.

A técnica de enfermagem atualmente trabalha no Bloco Cirúrgico Dom Helder Câmara, localizado no HSA. Aposentada há 14 anos, Carmem Lúcia faz parte da equipe do hospital há 43. O seu maior incentivo para continuar trabalhando é o amor pelo que faz: “Eu trabalho por amor a minha profissão! Se dissessem que eu teria que fazer meu curso novamente, eu faria”, disse. Para ela, exercer a profissão a cada dia como se fosse o último, doando o seu melhor é fundamental para o bom desempenho do seu trabalho.

Para a psicóloga Marta Batista, ocupar um espaço no mercado de trabalho é algo que requer muita responsabilidade. Ela conta que, com o passar do tempo, as pessoas passaram a enxergar a mulher de uma maneira diferente e, consequentemente, com mais respeito.

Colaboradora do HSA há 32 anos, Marta ingressou na vida profissional desde os 14. A psicóloga, que iniciou no HSA em um cargo de copeira, hoje tem quatro especializações, vinte artigos publicados, sendo um artigo científico e um em psicologia hospitalar, onde destaca a importância do psicólogo e da psicologia hospitalar, e conta com mais de 40 mil curtidas e comentários. Em setembro ela irá lançar um livro onde abordará a importância do psicólogo, da psicologia hospitalar e a questão de humanização e sensibilização. Além disso, Marta está concluindo o seu mestrado e se preparando para o doutorado. Os incentivos da irmã Tereza, irmã Machado, irmã Elisa, irmã Mirian e irmã Coelho foram fundamentais na sua formação acadêmica. “Elas foram os meus principais incentivos, sempre me disseram para eu correr atrás e ir em busca dos meus objetivos”. Ela nos contou que seu perfil nunca foi cuidar da casa, mas sim buscar conhecimento e lutar pelos seus objetivos, que é a sua principal característica. “Meu perfil sempre foi assim: na luta, buscar, correr e adquirir conhecimento. Sempre me imaginei trabalhando, fazendo faculdade, mestrado, doutorado e crescendo cada vez mais”, contou Marta.

Ednay de Souza, analista de patrimônio, trabalha há 34 anos no HSA e nos contou que, para ela, trabalhar fora de casa é sinônimo de contentamento. “É uma satisfação trabalhar, poder contribuir e poder se sentir útil”, disse.

Uma pesquisa realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) comprova que, ao longo dos anos, as mulheres vêm conquistando espaço no mercado de trabalho. Em 2017, dos cargos de chefias 43,8% eram ocupados por mulheres, dentre eles cargos como diretores, supervisores, chefes, coordenadores e dirigentes. Segundo o MTE, a desigualdade salarial vem diminuindo frequentemente e o salário das mulheres cresce 4,4% a cada quatro anos. Já o dos homens sobe 0,9% no mesmo período. Com isso, em 2017, as mulheres passaram a ganhar 85% dos salários dos homens.

A Santa Casa de Misericórdia do Recife é um exemplo dessa representatividade feminina e tem orgulho dessas mulheres. Contando com a colaboração de 1.927 funcionários, em fevereiro de 2019, 64,3% destes eram mulheres, o que equivale a 1.239 colaboradoras nas doze instituições administradas pela Santa Casa de Misericórdia do Recife.