Prefeitura e Santa Casa debatem ações para Educandário São Joaquim

Situado no povoado de Frei Caneca, no município de Jaqueira, o Educandário São Joaquim é um tesouro da Zona da Mata Sul de Pernambuco. A instituição, que é mantida pela Santa Casa de Misericórdia do Recife, foi fundada há mais de 130 anos e seus serviços prestados vêm contribuindo no desenvolvimento social e econômico de toda a região, sendo referência na Educação até os dias atuais. Em busca de mais investimentos na unidade, diretores da Santa Casa estiveram reunidos, nesta quarta-feira (19/06), com o prefeito de Jaqueira, Marivaldo Andrade, o historiador Ricardo Guerra e representantes da Câmara Municipal e do Conselho Tutelar.

O acesso ao casarão histórico que abriga o Educandário foi um dos pontos discutidos no encontro. É que a beleza da paisagem contrasta com a precariedade da estrada de terra que leva à unidade. Uma ladeira que, quando chove, oferece riscos aos alunos. “As crianças precisam descer do ônibus e ir a pé, pisando na lama”, conta a diretora do São Joaquim, Jane Pedrosa. Segundo ela, o calçamento da via traria mais tranquilidade para estudantes, pais e professores, além de atrair mais olhares para o potencial econômico e turístico do local.

O historiador Ricardo Guerra, que há anos realiza pesquisas na região, enfatizou a capacidade do lugar para receber novos empreendimentos. “Apenas cerca de 18 a 20% da área estão sendo utilizados. São quase 30 salas que estão atualmente vazias, no primeiro andar. Por ser um prédio antigo, certamente precisa de manutenção, mas é um espaço enorme onde poderiam ser instaladas faculdades, por exemplo”, pontua Guerra. “O valor histórico desse lugar precisa ser resgatado e apresentado à iniciativa privada e à sociedade”.

Localizado a cerca de 800 metros da rodovia PE-126, o Educandário São Joaquim tem uma área construída de 200 mil metros quadrados – o equivalente a dois campos de futebol, segundo Guerra. Ao todo, o terreno possui 18 hectares. Bem perto, a 14 quilômetros, fica a Reserva Frei Caneca, que abriga uma rica biodiversidade de animais e plantas. A unidade é rodeada de vegetação de Mata Atlântica preservada e tem investido bastante na área de agricultura. No terreno, é possível encontrar plantações de banana, graviola, jambo, pitanga, macaxeira, inhame e muitos outros alimentos, que são colhidos e consumidos durante as refeições da escola.

Oficina de Tipografia e Encadernação, segunda metade do século XX

Por essa razão, o investimento na agricultura local também foi outro aspecto tratado na reunião. O coordenador de Controle Interno da Câmara de Vereadores de Jaqueira, Edvaldo Moreira, se disponibilizou como voluntário para realizar palestras sobre agroecologia para estudantes. “O conhecimento desperta o nosso senso de curiosidade para entender a nossa região e como ela se encontra no presente”, disse, destacando que a área possui terra fértil e propícia para a formação de técnicos em agricultura e meio ambiente.

Dono de uma beleza única, o casarão do Educandário São Joaquim também tem um enorme potencial turístico, por toda a história em torno do lugar. Quando estava sob os cuidados do Império, funcionou como colônia militar. Anos depois, a área foi transferida aos frades capuchinhos e passou a acolher órfãos, a partir de 7 anos. Lá, eles recebiam toda educação básica e profissionalizante, com oficinas de música, tipografia, alfaiataria, marcenaria, carpintaria, entre outras. Aos 18, saíam do internato e voltavam à capital para buscar emprego. Ainda hoje, as salas mantêm intactos os móveis talhados em madeira por alguns de seus ex-alunos.

Detalhe do altar da Capela Central da escola (foto atual)

A capela do São Joaquim foi projetada em 1872 pelo arquiteto Frei Francisco Maria de Vicência. No teto, os afrescos são obra de outro italiano, Francisco Biggio, pintor do estilo renascentista que morou em Jaqueira por um tempo. Destaque, também, para os aposentos no primeiro andar que hospedaram a princesa Isabel, durante uma visita à região, no final do século 19. Cama, armário, cabide e a pia com azulejos portugueses e pinturas à mão: tudo permanece no mesmo local. Diversos quadros e o piano de marca francesa que foi tocado pela princesa também adornam o cômodo.

De acordo com o diretor Administrativo e de Patrimônio da Santa Casa Recife, Hélio Lacerda, o objetivo do encontro foi somar forças para conseguir expandir as atividades do Educandário e, com isso, angariar recursos. “Temos uma potencialidade muito grande e queremos levar essas informações muro afora. A própria sociedade civil precisa conhecer, defender e querer que isso tudo que temos aqui se perpetue”, ressaltou.

O prefeito Marivaldo se comprometeu em analisar as sugestões dos diretores e destacou a função social que o educandário tem até hoje. “A qualidade do ensino aqui é excelente, não é à toa que é bastante disputado. Além disso, o corpo de funcionários é praticamente de Jaqueira e tira sua renda deste lugar. Então eu me coloco à inteira disposição para avaliar o que já temos aqui e no que podemos ajudar mais. Pois, sem isso, uma parte da história de Jaqueira se acaba”, afirmou.

Atualmente, o Educandário São Joaquim funciona como ensino regular, oferecendo Educação Infantil e Fundamental I, no período da manhã. À tarde, são oferecidas atividades complementares, como reforço escolar, aulas de dança, música, capoeira, inglês, informática e artesanato. Em torno de 100 alunos estudam, por ano, no local, que atende crianças de quatro anos e meio até cerca de 10 anos. Por se tratar de uma entidade filantrópica, todo serviço é gratuito e têm prioridade nas vagas as crianças em situação de vulnerabilidade social.