No Dia Mundial da Obesidade, endocrinologista e psicóloga da Santa Casa Recife alertam sobre estigma do peso

Nesta segunda-feira (11/10), quando se comemora o Dia Mundial da Obesidade e o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, duas especialistas da Santa Casa de Misericórdia do Recife concederam entrevistas à imprensa local para falar do tema e alertar sobre o estigma do peso. É comum que a data seja relacionada apenas ao índice de pessoas obesas, mas, segundo elas, também é uma oportunidade para se falar sobre a gordofobia — como é chamada a discriminação contra as pessoas gordas —, que pode causar a problemas sérios de autoestima, ansiedade e depressão nesses indivíduos.

Assista à reportagem da TV Jornal sobre o Dia Mundial da Obesidade

“É importante olhar a questão como algo que precisa de cuidado e acompanhamento, pois, de acordo com o IBGE,  uma em cada quatro pessoas de 18 anos ou mais anos de idade no Brasil apresenta obesidade, o equivalente a 41 milhões de pessoas. No entanto, não é só isso que precisa de atenção. É preciso olhar para questões emocionais e psicológicas do indivíduo que passa a vida recebendo ataques por conta do corpo, levando-o na maioria dos casos à depressão e transtornos alimentares”, diz a psicóloga Marta Batista, que trabalha no Hospital Santo Amaro (HSA), mantido pela Santa Casa de Misericórdia do Recife.

De acordo com a endocrinologista Marise Lima Carvalho, que atende no ambulatório do HSA, o Índice de Massa Corpórea (IMC) classifica se a pessoa está acima do peso. “Obeso é alguém que tem um IMC acima de 30kg/m2. Para calcular este índice, deve-se dividir o peso [em quilos] pela altura [em metros] ao quadrado”, explica. No entanto, ela reforça que há muitos outros fatores envolvidos no aumento de peso. “A gente sabe que não é só comer errado. Sabe que não é só não se exercitar. Existe uma importante carga genética em se tornar obeso, associada a esses hábitos alimentares e estilo de vida. Daí a necessidade de entendermos a trajetória de ganho de peso do paciente”, diz a médica, chamando atenção para o preconceito contra pessoas gordas, ou “weight bias”. “A gente não pode definir se alguém é mais capaz ou menos capaz, mais ou menos adequado para um determinado trabalho apenas levando em consideração o seu peso. Precisamos respeitar a história de cada pessoa”, finaliza Marise.

Confira o vídeo completo com Drª Marise Carvalho:

Neste ano, a prefeitura do Recife aprovou duas leis municipais antigordofóbicas, fazendo da capital pernambucana a primeira do Brasil a ter legislação específica para o combate do preconceito contra pessoas gordas. A primeira transforma o dia 10 de setembro — nacionalmente conhecido como o “Dia da Pessoa Gorda” — no “Dia Municipal contra a Gordofobia”. A segunda pretende incluir a pauta da luta antigordofóbica na emenda do ensino público municipal, com ações temáticas e uma melhor formação do corpo escolar sobre o assunto.

“Quando fui me vacinar não me senti tão mal como alguns amigos que receberam a informação que estavam tendo a prioridade de receber a vacina por serem gordos. Uns ficaram com vergonha e outros até pensaram em não se imunizar”, conta a empresária e designer Késsia de Souza.

Hoje aos 33 anos, Késsia relata que já passou por muitos momentos constrangedores em relação ao seu peso. “Durante toda a minha vida escutei piadas e me senti mal por conta do meu corpo. Na fase adulta não está sendo diferente. Recentemente, fui dar entrada em um plano de saúde e eles me pediram previamente uma bateria de exames, diferente dos meus colegas de trabalho, que são magros. Ou seja, a obesidade e o sobrepeso é visto exclusivamente como uma doença. Fico feliz que essa nova geração tenha acesso a essas leis e reflita sobre o assunto”, pontua.