IAPQ 112 anos: Quando a missão é guiar para uma vida independente

Autonomia e liberdade. É com esses referenciais que o Instituto de Cegos Antonio Pessôa de Queiroz (IAPQ) celebra os 112 anos de fundação nesta sexta-feira (12). Mantida pela Santa Casa de Misericórdia do Recife, a instituição é a primeira do Norte-Nordeste e a segunda do País a levar atendimento especializado para pessoas com acuidade visual zero ou que possuem baixa visão, por meio de atividades gratuitas, dentre elas, o aprendizado do Braille (sistema de leitura e escrita tátil voltado para cegos), da escrita cursiva e de Atividades da Vida Autônoma (AVA), tudo com vistas a desenvolver nos participantes a reabilitação e a profissionalização.

Dados do último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, mostram que mais de seis milhões de brasileiros convivem com um quadro severo de deficiência visual. Frente a essa realidade, o trabalho realizado pelo IAPQ tem beneficiado moradores da Região Metropolitana do Recife (RMR) e de municípios do estado de Pernambuco, bem como de estados vizinhos.

Os alunos da unidade não têm na limitação uma barreira. Um deles é Lucas Janiel, jovem atleta goalball e ganhador de diversos torneiros paralímpicos. Outra que pôde vivenciar a realização de um sonho, graças à atuação da unidade, foi Roseane Souza: ela participou do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ex-aluno do IAPQ e também ex-funcionário da Santa Casa Recife, Domingos Sávio, hoje desempenha a função de radialista, comandando um programa voltado para pautas sobre inclusão, acessibilidade e cidadania. Assim como eles, são outras tantas histórias de conquista que tiveram início no instituto.

Uma parceria entre o IAPQ e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) promove a formação de deficientes visuais em massoterapeutas, por meio do projeto Suaves Mãos. Com um mercado de trabalho que oferece poucas vagas para os cegos, a iniciativa amplia as oportunidades de emprego. Os interessados em geral podem usufruir da prestação de diversos tipos de massagens, sendo elas reiki, shiatsu, relaxante, reflexologia podal e drenagem linfática.

O serviço é disponibilizado no Instituto, como também em atendimento domiciliar ou em empresas. A renda arrecadada é destinada ao IAPQ. Outra frente de atendimento do local é o Centro de Produção em Braille, com a oferta de impressões nessa modalidade de leitura. Todavia, em consonância com as medidas restritivas para combater o avanço da Covid-19, o espaço encontra-se fechado ao público.

As atividades pedagógicas desenvolvidas no Instituto contam com o apoio da congregação religiosa Filhas de Sant’ana, a qual designou para a direção do IAPQ as irmãs Ana Tereza, Telma e Toinha.

História – O Instituto de Cegos Antonio Pessôa de Queiroz (IAPQ) foi fundado em 12 de março de 1909 e leva o nome de seu fundador, Antonio Pessôa de Queiroz – que perdeu a visão aos três anos de idade, manuseando fogos de artifício, e mais tarde se tornou um dos introdutores do sistema Braille no Brasil. O IAPQ funcionava, inicialmente, na rua da Glória, no bairro do Recife, até o ano de 1927. Em 14 de julho de 1935, a unidade teve que migrar para o bairro das Graças, devido à imensa procura pelos serviços. A partir de 1935, a Santa Casa de Misericórdia do Recife assumiu a manutenção e administração da entidade, o que ocorre até os dias atuais.

Assista aos vídeos abaixo e conheça mais sobre o trabalho realizado no IAPQ: