Educandário São Joaquim: 132 anos de história e serviço à população

Situado a cerca de 125 quilômetros do Recife, no município de Jaqueira, Mata Sul de Pernambuco, o Educandário São Joaquim guarda parte da memória histórica do estado. O prédio construído a pedido do imperador Dom Pedro I já foi fortaleza militar, orfanato, internato e hoje funciona como escola de ensino regular e complementar, mantida pela Santa Casa de Misericórdia do Recife. O educandário completa, nesta quinta-feira (22/08), 132 anos de história e serviço à população de Jaqueira e cidades vizinhas. Para comemorar, a instituição vai promover, no dia 29 deste mês, um aulão com o historiador Ricardo Antônio Guerra, além de apresentações culturais dos alunos e um tour para os visitantes. 

São 10 mil metros quadrados de área construída, rodeada por uma vasta área de vegetação de Mata Atlântica preservada. O local chama atenção pelo imponente prédio, que ainda mantém os ares imperiais. No térreo, as salas de aula acolhem cerca de 100 estudantes entre quatro e 11 anos, em horário integral. Já nos pavimentos superiores, o cenário é outro. É possível encontrar as marcas do passado, preservadas. Um charmoso hall leva aos aposentos onde a Princesa Isabel pernoitou, quando esteve na região, após a Guerra dos Cabanos (1832-1836). Piano, roupeiro, penteadeira, cama, lavabo com detalhes em azulejo português: entrar no espaço é uma viagem ao século 19.

Segundo o historiador Ricardo Antônio Guerra, que é autor do livro Jaqueira Minha Amada, Sua História e os Personagens que Te Construíram, a estrutura arquitetônica do prédio é em estilo toscano. Foi projetado e construído pelo arquiteto e frei capuchinho Francisco Maria de Vicência, o mesmo que projetou e construiu a Catedral da Penha, no bairro de São José, no Recife. A capela do São Joaquim é uma atração à parte. Foi projetada em 1872 pelo arquiteto Frei Francisco Maria de Vicência e possui, no teto, afrescos do italiano Francisco Biggio, pintor do estilo renascentista que morou em Jaqueira por um tempo.

Enquanto no passado a educação era rígida, baseada na disciplina imposta pelos frades capuchinhos, hoje o São Joaquim dá espaço a um ambiente criativo, que estimula a cidadania e a independência dos alunos. Além do ensino regular, são oferecidas, no contraturno, aulas de informática, inglês, artesanato, capoeira, educação física, educação religiosa, entre outras atividades. O local também conta com auditório, refeitório, vestiários, brinquedoteca, sala multimídia, quadra esportiva e emprega 32 pessoas. Por oferecer educação gratuita e de qualidade a crianças em situação de vulnerabilidade social, é bastante disputado por estudantes da Mata Sul. 

Em relação à estrutura, há 30 salas vazias atualmente, com capacidade para receber outros empreendimentos. “Por ser um prédio antigo, certamente precisa de manutenção, mas é um espaço enorme onde poderiam ser instaladas faculdades, cursos profissionalizantes, por exemplo. O valor desse lugar precisa ser resgatado e apresentado à iniciativa privada e à sociedade”, ressalta o historiador. O diretor Administrativo e de Patrimônio da Santa Casa Recife, Hélio Lacerda, confirma o interesse da instituição em fechar parcerias em benefício do São Joaquim: “A população precisa conhecer, defender e querer que isso tudo que temos aqui cresça e se perpetue”.

No térreo, são oferecidas aulas do Infantil ao 5º ano, entre outras atividades; já nos pavimentos superiores repousam relíquias datadas do século XIX

Texto/fotos: Cínthia Carvalho – Comunicação Santa Casa Recife