Brasil conquista ouro inédito no goalball nas Paralimpíadas e atletas do IAPQ comemoram: ‘Inspiração’

Kim Wagner Gonçalves é bacharel em Educação Física e, desde 2007, é aluno do Instituto de Cegos Antonio Pessôa de Queiroz (IAPQ), unidade mantida pela Santa Casa de Misericórdia do Recife. Foi lá onde surgiu a sua paixão pelo goalball, modalidade praticada por pessoas com deficiência visual. São quase 15 anos de prática, que fizeram o veterano ser considerado referência para os jovens atletas de Pernambuco que chegam ao IAPQ. Ligado nas Paralimpíadas de Tóquio, Wagner comemorou, nesta sexta-feira (03/09), a primeira consagração paraolímpica da seleção brasileira: a conquista da inédita medalha de ouro no goalball ao vencer a China por 7 a 2.

“É gratificante ver o Brasil ganhando o ouro inédito no goalball nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. Isso traz uma visibilidade grande para a nossa modalidade e também a perspectiva de que mais pessoas cegas e com baixa visão se inspirem e comecem a praticar, com isso, mais talentos surjam em nosso país. Fortalece como um todo a modalidade”, contou Wagner, que acumula troféus em diversos campeonatos regionais e nacionais. Em 2010, no Rio de Janeiro, o time do IAPQ chegou muito perto do pódio, se consagrando 4º lugar nacional. “O esporte pode transformar vidas. E o goalball transformou a minha, completamente”.

Inspirada por atletas como Wagner, Luzia Eduarda Borba também dedica ao goalball a sua transformação de vida. A jovem chegou ao IAPQ aos 17 anos, ainda desenvolvendo sua orientação e mobilidade. Foi na quadra da unidade que ela aprendeu a correr sozinha e, hoje, sem medo, ela domina o jogo. Formada em Direito, concursada pela Prefeitura do Recife e atleta promissora do time feminino do IAPQ, Luzia acredita que a conquista da seleção brasileira foi um grande marco na história do goalball. “É uma medalha tão esperada! Sem dúvida, vai inspirar outros jovens, fortalecer a formação de base da modalidade e vai mostrar à pessoa com deficiência que ela pode alçar voos maiores”, celebra.

A própria transmissão na TV das Paralimpíadas também é outra conquista, segundo ela. “Muitas pessoas que não tinham nenhum conhecimento do nosso esporte assistiram à final hoje e me ligaram, mandaram mensagem. É muito gratificante”, conta a jovem. “Eu espero que os jovens se inspirem, mas também que os familiares das pessoas cegas e com baixa visão entendam que o incentivo é fundamental. É preciso estimular, proporcionar o contato com outras pessoas cegas. A família é importante nesse processo e o esporte vai ser a ferramenta da liberdade e da autonomia”, conclui.