Alunos do Instituto de Cegos comemoram conclusão de curso de gastronomia

Nove alunos do Instituto de Cegos Antônio Pessoa de Queiroz (IAPQ), mantido pela Santa Casa de Misericórdia do Recife, são a prova de que a cozinha também é um excelente espaço de inclusão. O grupo participou do projeto “Açúcar em todos os sentidos”, idealizado pela professora do curso de Gastronomia da UniFBV/Wyden, Nina Burkhardt, que leva conhecimentos sobre confeitaria e preparo de salgados a pessoas com deficiência visual. O encerramento do curso aconteceu nesta quinta-feira (20/06).

Durante as aulas, eles tiveram contato com chefs renomados do Recife e participaram, inclusive, de uma degustação guiada com o chef Claudemir Barros, do restaurante Oleiro, que concorre ao título de chef do ano. O grupo aprendeu a preparar bolos, salgados, pães, massas, entre outras técnicas. “Eles surpreenderam a professora, o reitor, a coordenadora, pela competência em tudo que fizeram”, contou a diretora do IAPQ, Irmã Maria Gomes. “Este projeto é muito bom, principalmente porque a professora estimulou a autonomia deles”, observou.

A dona de casa Adivanete Batista da Silva, matriculada há cerca de um ano no IAPQ, foi uma das alunas que recebeu o certificado. Ela conta que cozinhar era um desejo antigo, que só aumentou após o curso. “Eu não conhecia a palavra ‘gastronomia’, eu só sabia que eu amava fazer comida. Eu cozinho em casa, para meus familiares, todos gostam muito. Eu sempre quis aprender a fazer doces e bolos, e agora eu faço de chocolate, de macaxeira”, comemora. “Não é fácil, mas nós, cegos, podemos fazer tudo. Eu só tenho a agradecer a todos que realizaram esse curso, foi como uma família”, afirmou.

Uma das alunas aproveitou o aprendizado do curso para incrementar a renda. Mieres da Silva Alencar, que está há um ano no IAPQ, hoje prepara trufas, empadas e bolo de pote, com o objetivo de vender. Para ela, as aulas abriram os horizontes de todos os alunos. “No primeiro dia, fizemos o reconhecimento da cozinha, depois provamos novos pratos. Era tudo adaptado, uma coisa incrível, pois hoje em dia não vemos muitas oportunidades para nós. Hoje eu já tenho mais confiança em mim. Até me inscrevi no Enem”, contou.

Mieres resume o curso com uma palavra: superação. “Além do dinheirinho extra, as aulas aumentaram a minha autoestima. Antes eu não sabia que era capaz de fazer isso, de cozinhar tantas coisas. A professora Nina nos mostrou um novo mundo, ela é um amor de pessoa. Esse curso foi uma superação para mim e para os meus colegas”, contou Mieres.

Para a Nina Burkhardt, o projeto cumpriu sua proposta de inclusão: “Queríamos mostrar essas pessoas como força de trabalho na cozinha, como pessoas capazes. Às vezes, eu até esquecia que eles tinham alguma deficiência visual. Trabalharam muito bem dentro das suas limitações. Foi lindo”, concluiu a professora.

 

Texto: Comunicação – Santa Casa de Misericórdia do Recife

Fotos: Acervo pessoal dos alunos